A quantidade de falsas denúncias que chega diariamente à Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE) constitui-se num dos principais fenómenos que preocupam a instituição, afirmou segunda-feira, em Cabinda, o inspector Geral da Administração do Estado.
João Manuel Francisco” João Pinto, que falava aos órgãos de comunicação social à margem do encontro de cortesia que manteve com as entidades governamentais locais, na sede do governo provincial, disse que mais de 40 por cento das denúncias que a IGAE recebe são protagonizadas por indivíduos anónimos, e não possuem consistência do ponto de vista de provas materiais.
“São denúncias maliciosas, caluniosas, em que não aparecem rostos e muito menos documentos”, revelou o inspector geral da Administração do Estado, que aproveitou o momento para chamar à atenção aos cidadãos no sentido de “denunciarem sobre verdades e não com intrigas”.
João Pinto informou que as denúncias verdadeiras têm sido acompanhadas com a reserva necessária, tendo em atenção o princípio da presunção de inocência. “Em caso de um cidadão deparar-se com um acto abusivo ou ultraje dos seus direitos na administração pública, deve denunciar, mas sem desnortear os princípios éticos”, apelou.
O inspector geral da Administração do Estado entende que a prioridade na contratação pública deve ser a Educação, Saúde e Magistratura. Outra questão preocupante, prosseguiu o responsável, tem a ver com os escassos recursos para o combate à corrupção.
“Havendo recursos escassos, vamos gerir o que temos, priorizando sempre o que é mais importante”, recomendou.
Em Cabinda, João Pinto orienta hoje o seminário sobre “Ética e Deontologia na Administração Pública”, dirigido a todos os gestores das instituições ao serviço dos cidadãos na província.
“Não se melhora uma sociedade sem consciência do que é certo ou errado”, sublinhou João Pinto, tendo de seguida lembrado sobre casos históricos de actos de corrupção, envolvendo gestores públicos, que provocaram grandes prejuízos aos cofres do Estado.
O Inspector Geral da Administração do Estado concluiu que tais actos ocorreram porque nem sempre a necessidade de moralizar a sociedade acompanhou a consciência sobre o que é certo e o que é errado.