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Tragédias, controvérsias e falhas organizativas marcam o CAN 2021

A 33ª edição da Taça de África das Nações encerrou domingo, com a primeira e histórica consagração do Senegal que cumpriu com todas as expectativas em termos de partidas, mas, também, ficou marcada, por polémicas e dramas, como a morte de oito pessoas à margem do jogo Camarões-Comores, maus estado dos relvados e outros factos organizativos.

 A primeira mancha foi indubitavelmente a morte de pessoas ocorrida na noite de 24 de Janeiro, um evento trágico que revelou os muitos problemas organizacionais que acompanharam o torneio desde o seu início.

Além disso, há a assinalar o que ocorreu durante o jogo Tunísia-Mali, na fase de grupos, onde o árbitro zambiano da partida, Janny Sikazwe, pôs fim ao jogo antes do final do tempo regulamentar, provocando a ira dos tunisinos que se recusaram terminar o jogo. Por esta reacção, as Águias de Cartago também quase seriam excluídas da competição.
O estado das intra-estruturas, estádios sobretudo, também deu que falar. Nem sempre estiveram prontos  para receber jogos, como  foi a situação do Estádio de Japoma, na cidade de Douala, palco dos jogos do Grupo E. Já estava para albergar jogos do CAN 2019, mas, mesmo com o tempo decorrido, não foi prontamente concluído.

Fortemente criticada a fraca  qualidade dos relvados, o porta-voz da Comissão Organizadora do CAN, Abel Mbengué, declarou, surpreendentemente, que se tratava de um problema bastante banal.

“Eu não entendo. Não sei por que se faz tanto barulho. Mesmo em Wembley, fazemos substituição de relva! Não há um único estádio no mundo onde não seja fácil”, disse na altura.

A este conjunto de actos, acrescem as reclamações das várias selecções em relação a autenticidade dos exames à Covid-19, más condições de hospedagem, alimentação e transporte. A pesar de evidentes, a organização, reagindo, rotulou como falaciosas tais reclamações.

Do ponto de vista futebolístico, o nível da competição foi um dos pontos positivos desta CAN. Se a competição foi rica em surpresas, com a eliminação, logo na fase de grupos,  do campeão argelino, ou  do Ghana, regular nos quartos-de-final, despontaram também novas selecções, como as Comores, que, pela sua primeira participação numa fase final, só foram eliminados nos oitavos-de-final, após uma partida “heróica” com a selecção do país anfitrião, Leões Indomáveis dos Camarões.

A Gâmbia, que igualmente teve a primeira participação, conseguiu um percurso exemplar ao apurar-se para os quartos-de-final. Combatentes e determinados, esses selecções demonstraram que já não existem equipas fracas, de-vendo todas serem respeitadas competitivamente.

O Egipto, que começou mal, teve uma boa sequência nesta edição, principalmente nas eliminatórias onde jogou 120 minutos no seus quatro “duelos” contra a Côte d´Ivoire, Marrocos, Camarões e Senegal, um recorde jamais visto no passado.

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