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Economia afundou 5,1 % em 2020, pior ano desde a independência

A queda persistente do preço do petróleo, iniciada em 2014, acompanhada, a partir de 2016, pela queda da produção, juntou-se a Covid que agravou a situação no sector de petróleo, e contaminou o sector não petrolífero com seus sucessivos bloqueios. Resultado: a quinta recessão em cinco anos e a mais severa desde 1975.

A economia angolana afundou 5,1% em 2020, de acordo com as declarações do Ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, depois da segunda reunião ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, que serviu para aprovar o relatório de balanço anual do PDN 2018- 2022.

“O Produto Interno Bruto (PIB) reduziu em 5,1%, o sector petrolífero 8,3 e o não petrolífero 3,6. Apesar disso, alguns sectores, como o da Agricultura, mostraram-se resilientes, experimentando um crescimento de 5,6%”, garantiu Sérgio Santos citado pelo Jornal de Angola.

“O balanço mostra que, apesar da dupla crise profunda em que o País se encontra mergulhado, provocado pela pandemia da COVID-19 e a redução do preço do barril de petróleo – maior produto de exportação do País – a economia nacional continua a apresentar sinais de resiliência, não obstante ter apresentado uma contracção muito grande”, justificou o ministro.

A recessão de 2020, a quinta em cinco anos e a mais severa desde a independência, foi muito pior do que o previsto. Quando o orçamento de 2020 (OGE) foi apresentado pela primeira vez, o Governo previa uma saída da recessão com crescimento de 1,5%, com o sector petrolífero avançando 1,9% e o sector não petrolífero 1,9%. Com a pandemia, o governo foi forçado a rever o OGE 2020 e também as projecções que passaram a apontar para uma queda de 3,6% do PIB com o sector petrolífero a cair 7% e o sector não petrolífero a recuar 1,2%.

Já as instituições de Bretton Woods, nomeadamente, Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI) previam uma queda de 4%.

A queda de 5,1% anunciada pelo ministro está em linha com a previsão do Banco de Fomento Angola (BFA). Numa nota informativa sobre a terceira revisão do FMI, o gabinete de estudos económicos do banco previu que a economia angolana registasse uma recessão “superior a 5%”.

Antes da COVID-19, a economia angolana já enfrentava uma situação muito complicada caracterizada por uma queda persistente do preço do petróleo, iniciada em 2014, e acompanhada, a partir de 2016, pela queda da produção. A COVID-19 não apenas piorou a situação no sector de petróleo, mas também contaminou o sector não petrolífero com seus sucessivos bloqueios. Tudo isso num contexto em que o País se viu obrigado a cortar gastos e aumentar impostos no âmbito do programa do FMI aprovado em Dezembro de 2019.

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