O primeiro-ministro cessante de Itália, Mario Draghi, despediu-se hoje do Conselho Europeu, em Bruxelas, lembrando a sua “longa jornada” na política da União Europeia (UE), marcada por várias crises, recebendo “calorosos aplausos” dos outros líderes europeus.
“Obrigado por estes calorosos aplausos e por esta despedida, obrigado pelos esforços ao longo desta longa jornada”, disse Mario Draghi, intervindo no segundo dia da cimeira europeia, numa reunião que decorre à porta fechada, segundo fontes europeias.
As mesmas fontes salientaram também o “longo aplauso” dos chefes de Governo e de Estado ao primeiro-ministro italiano cessante.
O ex-presidente do BCE deixa o cargo de chefe de Governo italiano numa altura em que a UE enfrenta uma acentuada crise energética e altos níveis de inflação, situações exacerbados pela guerra da Ucrânia provocada pela invasão russa, depois de na anterior crise financeira de 2011 ter liderado o banco central da moeda única e de ser visto como o homem que “salvou o euro”.
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, destacou na ocasião que Mario Draghi “contribuiu para a riqueza dos debates, […] num estilo conciso, breve e afincado”.
Neste segundo dia da cimeira europeia, o debate será dedicado às relações com países terceiros, como a China, a Bielorrússia ou o Irão, com os líderes europeus a fazerem ainda um ponto de situação sobre a guerra da Ucrânia.
Na quinta-feira, primeiro dia do Conselho Europeu, os chefes de Governo e de Estado da UE concordaram trabalhar em medidas para conter os elevados preços da energia, acentuados pela guerra da Ucrânia.
O ex-presidente do BCE liderava em Itália um governo de unidade nacional desde fevereiro de 2021, apoiado por todos os principais partidos do país, exceto pelo partido Irmãos de Itália (FdI), liderado pela sua previsível sucessora, Giorgia Meloni.
O antigo presidente do BCE despediu-se há duas semanas dos ministros do seu Governo e agradeceu o seu trabalho na gestão da pandemia, da campanha de vacinação, da crise económica e energética, do lançamento do Plano de Recuperação e Resiliência e da resposta à invasão russa da Ucrânia.
Giorgia Meloni, que venceu as eleições legislativas em 25 de setembro, vai governar com a coligação de direita e de extrema-direita — com a Liga, de Matteo Salvini, e com o Força Itália, de Silvio Berlusconi –, que tem maioria no novo parlamento.
A líder do FdI deverá ser convidada a formar o novo Governo pelo chefe de Estado italiano, Sergio Mattarella, depois de o parlamento ficar constituído na próxima quinta-feira.