Movidos pela velha máxima “em casa mandamos nós”, a Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol venceu, 88-74, o Mali em partida disputada, domingo, no Pavilhão Multiusos do Kilamba, no encerramento da terceira Janela de Qualificação Zona Africana à Copa do Mundo da FIBA Qatar’2027.
Selton Miguel e Childe Dundão, com 22 pontos cada um, comandaram o triunfo dos angolanos, onde Bruno Fernando também logrou a cifra de dois dígitos, 10 pontos e oito ressaltos.
Desafio acirrado, com disputa intensa e nervos à mistura, a partida marcou o regresso dos malianos ao recinto, onde havia perdido com os angolanos na final do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket’2025.
Era uma espécie de acerto de contas em território nacional. Para os angolanos estava em causa a honra e a dignidade, depois da derrota sofrida na jornada anterior frente ao Egipto.
O público compareceu em maior número, em relação aos dias anteriores, mas ainda assim ficou aquém do esperado. Do lado contrário, eram cerca de mil e quinhentos malianos que fizeram sentir a presença no apoio aos compatriotas.
A pressão defensiva dificultou as acções da equipa às ordens de Ahdji Dicko, porém não tardou para que os visitantes se mostrassem indiferentes aos apupos do público, oferecendo boa réplica e passando a dificultar as transições dos anfitriões.
A intensidade do jogo gerou alguma animosidade entre alguns jogadores, sem no entanto manchar o desenrolar do desafio. No final do primeiro quarto, igualdade a 21 pontos.
Falta de automatismo do “cinco” nacional
No segundo período, os dodecacampeões denotaram alguma falta de automatismo nas acções ofensivas, com poucas soluções para visar o cesto contrário. Sempre que o base fazia o passe, recebia a bola de volta do companheiro.
A falta de esclarecimento ofensivo levou os jogadores do “cinco” nacional a cometer erros sucessivos e precipitação na hora de assumir a finalização. Os adeptos malianos, a maioria residentes em Luanda, faziam aquilo que lhes competia: puxavam pelos compatriotas a todo o momento.
Angola foi para o intervalo a vencer por dois pontos, 43-41, todavia sem uma postura clara. Nesta altura, o extremo-base Selton Miguel era o que mais se destacava. Childe Dundão parecia pouco concentrado, assim como boa parte dos companheiros.
Entre erros e acertos, o grupo às ordens de Pep Clarós manteve-se dentro do jogo. O Mali continuava a fazer das suas: contrariar os donos da casa com o objectivo de conservar a invencibilidade na série, uma vez que as duas selecções já estavam apuradas para a fase seguinte.
Virada chave pelos Dodecacampeões
Foi no último quarto que aconteceu a virada de chave. Impulsionados pelo público, aliado às mexidas efectuadas pelo corpo técnico, Angola passou a explorar melhor o tempo de ataque e, paulatinamente, dilatou a vantagem até chegar aos dois dígitos.
Nesta altura, os malianos denotaram algum desgaste físico, pois já não defendiam com a mesma intensidade e deixaram de fazer transições rápidas para o ataque, optando pelo jogo interior, uma vez que tiraram proveito da maior estatura física dos atletas.
Os angolanos ganharam cada vez mais confiança, com melhor circulação de bola, e não mais permitiram a aproximação dos adversários. Ou seja, estava consumada a vitória por 88-74, para se redimir do desaire anterior, 79-80, em Alexandria.
Apesar do desaire, o Mali mantém-se líder com 11 pontos, mais um que Angola na posição imediata, seguida pelo Egipto com nove, no terceiro posto.