Os líderes dos principais governos da União Europeia e os Estados Unidos aprovaram a retirada do Governo da Rússia do sistema financeiro Swift.
Esta é, inicialmente, a medida de retaliação mais dura do Ocidente contra a Rússia após a ofensiva militar contra a Ucrânia, que se acredita vir a afectar apenas algumas das instituições bancárias russas, face à intenção de enfraquecer o país do Presidente Vladimir Putin, principalmente a moeda local.
Entenda o Swift
Sigla para Sociedade para Telecomunicação Financeira Mundial entre Bancos (na tradução do inglês), o Swift é o principal mecanismo do tipo adotado pelas instituições do mercado financeiro internacional. Estabelecido por americanos e europeus em 1973 e gerido pela Bélgica, o sistema conecta mais de 11 mil bancos em 200 países. Bloquear a participação de países, portanto, significa prejudicar transações de suas empresas em negócios no exterior.
O Swift é responsável por dar rapidez à comunicação e segurança às informações de transações bancárias. Cada instituição tem uma sigla BIC (Código Internacional Bancário, na tradução), que identifica origem e destino das movimentações em diferentes moedas. O sistema movimenta triliões de dólares.
O Irão sofreu com embargo do Swift entre 2012 e 2016 por conta de seu programa nuclear, o que afectou diretamente a principal commodity do país: a negociação do petróleo.
De acordo com a Associação russa do Swift, o país tem o segundo maior número de usuários do sistema, atrás apenas dos Estados Unidos.
Medida afeta a Rússia, mas pode ter consequências indiretas para outros países. Com a concretização do afastamento do sistema Swift, a Rússia teria dificuldade em realizar grandes transações financeiras, já que a comunicação direta entre bancos fora desse sistema é muito mais morosa. A Rússia já havia sido ameaçada de ser retirada do Swift em 2014, na época da anexação da Crimeia, que fazia parte da Ucrânia. Por isso, passou a desenvolver um sistema próprio de transferências financeiras entre países, mas que ainda é pouco utilizado. Além disso, a proximidade da Rússia com o governo chinês fez com que os dois países desenvolvessem um sistema próprio para as suas relações comerciais.