Rádio Nova 102.5 FM

Rádio Online

João Lourenço defende potencial de África para produzir mais energia de fontes limpas

O Presidente da República, João Lourenço, admitiu, terça-feira, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, que o continente africano, a julgar pelos recursos hídricos que possui, tem possibilidades de construir mais barragens hidroeléctricas e produzir mais energia de fontes limpas.

Ao intervir no painel sobre energias limpas no Fórum da Sustentabilidade, João Lourenço realçou, igualmente, que “o continente tem felizmente bastante sol, um bem que a natureza oferece para poder transformar este sol em energia com recurso aos painéis solares”.

Na sua intervenção, num painel de debate com perguntas e respostas, ladeado de outros líderes africanos, o Chefe de Estado angolano destacou, de igual modo, a urgente necessidade de infra-estruturas energéticas para a electrificação e industrialização do continente.

Por outro lado, para que se alcancem estes objectivos, o Presidente João Lourenço entende, também, ser fundamental o envolvimento quer dos países ricos como das instituições internacionais de financiamento para haver investimento público e privado no sector de produção de energias limpas.

“Nós pensamos que se tivermos esta visão em andarmos rápido, com certeza estaremos a fazer um grande bem à natureza, reduzindo as emissões de gases poluentes”, assinalou João Lourenço.

O estadista angolano, que fez estas declarações durante um debate em torno do tema “Permitir que África se torne uma central de energia limpa”, no âmbito do segundo e último dia da Cimeira sobre Sustentabilidade, destacou diversas vantagens caso haja um investimento e engajamento de todos.

Entre as várias questões colocadas aos dois chefes de Estado, de Angola e da Zâmbia, sobre a produção nacional de energias limpas, objectivos a atingir a nível do continente, prioridades e expectativas da realização da COP28 nos Emirados Árabes Unidos, João Lourenço disse que acredita que para África desenvolver carece de bastantes infra-estruturas, sublinhando a necessidade de haver as energéticas para electrificar o continente e consequentemente industrializá-lo.

O Chefe de Estado angolano defendeu ainda que deve haver não apenas o concurso de investimento público da responsabilidade dos Estados, mas também do investimento privado na produção de energias limpas, que podem ser injectadas nas redes nacionais de transportação e vendidas directamente ao consumidor, ou, em alguns casos, o Estado compra essa mesma energia e faz chegar ao consumidor.

Falou das potencialidades do continente, apontando as suas riquezas em rios, recursos hídricos, que garantem a possibilidade de se construírem muito mais barragens hidroeléctricas para a produção de energias limpas.

Sobre a produção de energia eléctrica em Angola, o Chefe de Estado angolano respondeu, destacando que da matriz energética produzida no país, que está a acima de 60 por cento, é proveniente de fontes não poluentes, nomeadamente de barragens hidroeléctricas e de parques solares.

“O nosso país produz, neste momento, cerca de 4.3 Gigawatts de energia limpa, e com a construção de uma grande barragem hidroeléctrica vai adicionar 2.3 gigawatts. Temos ainda um programa de produção de mais 1.2 gigawatts de energia em parques solares que vai permitir a distribuição em ligações domiciliares, em que beneficiarão cerca de sete milhões de habitantes no Sul de Angola”, assegurou.

 

Objectivo de Angola até 2025

João Lourenço frisou ainda que o objectivo de Angola é atingir até 2025, pelo menos 77 por cento de produção de energia limpa no país.

“Até 2025, pensamos não só alcançar 7.5 Gigawatts de energia não poluente, mas também trabalhar na transportação dessa mesma energia para todo o país. A nossa intenção é, até 2025, reduzir as emissões de gases poluentes”, frisou.

Para o Chefe de Estado, Angola está também a dar os primeiros passos no sentido de vir a produzir energia a partir do hidrogénio verde, tendo já contactos adiantados com empresas europeias.

Quanto às metas a atingir a nível do continente africano, João Lourenço afirmou que passam pela industrialização, mas de forma sustentável, à custa de energias limpas, recordando, também, do compromisso assumido pelos países ricos na COP26 e 27, de financiarem os países menos poluentes, no caso dos africanos, no processo da transição energética.

“Esta é uma das metas que se pretende atingir nas próximas décadas. Tudo faremos para tornar o nosso continente industrializado. Mas devemos ter o cuidado de não alcançar esse objectivo, cometendo os mesmos erros que os actuais países industrializados cometeram. Queremos industrializar o nosso continente, sobretudo, à custa de energia limpa, renovável. Mas, para isso acontecer, é preciso que os países ricos cumpram com as suas promessas, de colocar recursos financeiros e tecnologia adequada ao serviço do continente”, apontou.

O debate com moderação, realizado numa das salas do Centro Nacional de Exposições de Abu Dhabi, durou mais de 20 minutos, com quatro questões iguais, dirigidas aos dois Chefes de Estado de Angola e da Zâmbia, que participaram do painel.

No final, questionados sobre as expectativas da COP28, prevista para ano, em Abu Dhabi, João Lourenço respondeu: “Digo que tenho muita esperança, porque essa COP28 vai ter lugar num país que é um grande produtor de petróleo, que poderia se acomodar pelo facto de ter muito petróleo, com custos de produção muito baixos, mas não obstante a isso, está a dar um bom exemplo, em investir seriamente em fontes renováveis de produção de energia”.

Mais tarde, o Presidente da República apontou os Emirados Árabes Unidos como exemplo pelo que este país está a fazer: “Portanto quero dizer que os EAU, por exemplo, estão a fazer um grande investimento em fontes renováveis de energia. Voltaremos dentro de alguns meses para beber um pouco desse bom exemplo que os EAU dão no combate contra a emissão de gases poluentes e que esse exemplo se estenda pelo resto do mundo”.

Segundo a observação de João Lourenço, os Emirados Árabes Unidos, pouco a pouco estão a abandonar as fontes de produção poluente, ao que assinalou a importância de se fazer a transição eléctrica. “Tem muita fé do sucesso que será a COP28 em Abu Dhabi”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.