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Observatório vai monitorizar evolução da segurança alimentar em Angola

A redução de importações de bens alimentares gerou uma poupança directa ao Estado angolano, em 2023, de cerca de 940 milhões de dólares, anunciou, quarta-feira, em Luanda, o ministro de Estado para a Coordenação Económica.

José de Lima Massano, que apresentou as acções do Executivo no quadro da segurança alimentar e da produção nacional, na reunião do Conselho da República, disse que se verificou uma descida de 17,9 por cento no montante das importações de bens alimentares no segundo trimestre desde ano.

José de Lima Massano fez saber que o óleo de palma (com uma redução de 79,8%), óleo alimentar (redução de 67,1%), coxas de frango (redução de 34,3%) e arroz (redução de 8,4%) foram os principais bens alimentares que contribuíram para que houvesse essa redução.

No entanto, disse ter havido bens alimentares que apresentaram um comportamento contra cíclico, nomeadamente o açúcar, com um aumento de 24,4 por cento.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica destacou, ainda, que o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN)2023-2027 tem uma abordagem focada no impacto das acções a serem implementadas, estando orientado para o fortalecimento do desenvolvimento do capital humano e a elevação dos níveis de segurança alimentar. José de Lima Massano referiu que a meta visa permitir o acesso a uma alimentação equilibrada, aumentar a produção nacional e o emprego, colocando, este ano, o país menos dependente do exterior e reduzir as desigualdades sociais, para garantir que os angolanos tenham melhor qualidade de vida.

Neste contexto, o ministro de Estado para a Coordenação Económica disse que o Executivo tem vindo a implementar acções concretas para o desenvolvimento dos sectores da agricultura, pecuária e pescas, como motor do desenvolvimento da economia e o garante da segurança alimentar. Essas medidas, destacou, destinam-se ao apoio das populações mais carenciadas, enquanto não se atinge o nível de desenvolvimento da economia capaz de sustentar adequadamente a maior parte da população.

José de Lima Massano deu a conhecer que das 284 prioridades do PDN 2023-2027, 212 têm impacto directo sobre a segurança alimentar, com realce para os programas de fomento da produção agro-pecuária, exploração sustentável dos recursos aquáticos e desenvolvimento sustentável da aquicultura, fomento da indústria transformadora, reorganização do comércio interno e fomento das exportações.

José de Lima Massano disse estar em implementação o programa de aceleração da agricultura familiar, contemplando a mecanização agrícola ligeira para aumentar a produtividade. Dessas acções, salientou que a recuperação dos perímetros irrigados, diques e canais de irrigação visa garantir a produção ininterrupta e mitigação das alterações climáticas. Além da recuperação de estruturas de ensino agrário em parceria com a União Europeia, o ministro de Estado para a Coordenação Económica avançou estar em curso a edificação do Centro de Produção de Vacinas Animais no Huambo e foi lançado o projecto de produção de fertilizantes em grande escala, juntando-se a iniciativa existentes de produção de correctivos dos solos e de equipamentos manuais agrícolas. “Esta a ser projectada uma rede nacional de silos e matadouros em zonas de elevada produção, bem como a instalação de plataformas logísticas ao longo dos Corredores Económicos em regime de parceria público-prtivada, bem como a recuperação da função dos Centros Logísticos de Distribuição”, destacou.

Informou ainda que Angola possui cerca de 3,1 milhões de famílias que actuam no campo, 1,2 milhões das quais têm apoio directo com assistência técnica e insumos de modo regular.

O objectivo, sublinhou, passa por atingir 1,5 milhões de famílias, pelo que disse ter sido iniciado o processo de recrutamento de técnicos agrários que deverá continuar no próximo exercício económico.

Para a campanha 2024/ 2025, José de Lima Massano informou que vão estar disponíveis cerca de 200 mil toneladas de fertilizantes, das quais um lote de 41 mil foram já adquiridas, assim como 12 mil toneladas de sementes para programas de apoio à agricultura familiar.

No âmbito do FADA, o ministro de Estado para a Coordenação Económica disse que cerca de 2 mil motocultivadoras ou equipamentos de tracção estão a ser disponibilizados às cooperativas em regime de crédito, além de estarem, ainda, disponíveis, via banco comercial, o Crédito Agrícola de Campanha. José de Lima Massano revelou que o Executivo vai alargar o Kwenda dos actuais 1,6 milhões de agregados familiares para 2,2 milhões até final do quinquénio. O governante salientou estar previsto o crescimento global do sector agro-pecuário em 8,3 por cento no ciclo 2024/ 2025, que vai permitir acelerar a meta de redução da insegurança alimentar e afectar menos de 21 por cento da população até final do quinquénio.

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