As selecções nacionais de Angola e Mauritânia reencontram-se quase um ano depois do nulo no CHAN. Melhor na estreia, porque empatou, enquanto o adversário perdeu, a equipa nacional está com o foco exclusivo nos três pontos, que se alcançados garantem com antecedência a passagem das Palancas Negras para os oitavos-de-final.
A equipa técnica nacional capricha em todos os detalhes da preparação para que o reencontro com os Leões de Chinguetti, curiosamente é também para a segunda jornada, como no CHAN, fique gravado na história, porque o triunfo chega e basta para o objectivo mínimo, que é passar da primeira fase.
O seleccionador Pedro Gonçalves esmera-se no detalhe da preparação, para tornar mais eficaz as Palancas Negras, para reverter o que aconteceu no CHAN, em que Angola teve domínio total do jogo. Ou seja, a Selecção Nacional teve quase o dobro da posse de bola, mas não marcou, o que também acabou por afectar na eliminação prematura na competição. O combinado angolano conhece muito bem quem vai estar do outro lado da barricada, mas a inversa é igualmente verdadeira, porque os treinadores são os mesmos do CHAN. As duas selecções ainda têm o remanescente que se enfrentou o ano passado, um deles é o defesa Nouh, que causou o penálti que derrotou no fim a Mauritânia diante do Burkina Faso, mas a equipa técnica liderada por Pedro Gonçalves preferiu actualizar o seu conhecimento sobre os Leões de Chinguetti.
Além das imagens televisivas, a equipa técnica nacional também optou por ver a selecção leonina in loco, os “espiões” da equipa técnica de Pedro Gonçalves estiveram terça-feira no Estádio da Paz, para fazer observação visual do adversário, além de recolher todos os outros pormenores que a televisão não mostra em directo, para enriquecer a estratégia das Palancas Negras.
Os muitos apontamentos recolhidos vão ajudar Pedro Gonçalves a dissipar eventuais dúvidas, quanto ao valor real da Mauritânia, que sob comando do careca Amir Abdou tem crescido no futebol continental. Por mais valiosas que sejam as informações recolhidas, é ponto assente que Pedro Gonçalves pode não aceitar partilhá-las sexta-feira na conferência de imprensa, ainda mais porque já alertou, no lançamento do jogo com a Argélia, que há coisas valiosas exclusivas para o corpo técnico e o plantel de 23 atletas.
Desagrado
O português Pedro Gonçalves e o seu homólogo Amir Abdou, francês de nacionalidade, tiveram razões diferentes para ficar com enormes motivos de queixa da CAF, motivo por que antes dos respectivos jogos de estreia fizeram questão de mostrar total desagrado pelo que acontecia. Mais revoltado do que Pedro Gonçalves, Amir Abdou, cuja careca faz lembrar muito o ex-árbitro italiano Pierre Luigi Collina, esteve com cara de poucos amigos durante o tempo em que esteve sentado, na sala de trabalho de jornalistas, a aguardar a sua vez de ser chamado para ir falar em conferência de imprensa.
A presença dele passou despercebida para a maioria dos jornalistas, mas o semblante carregado e os gestos ilustravam bem o estado de espírito do treinador, pelo desacerto no horário.