Mais de dois mil professores em todo o território nacional vão trabalhar no Censo Geral da População e Habitação, anunciou, quarta-feira, em Luanda, o porta-voz da comissão multissectorial.
Hernâni Luís, que falava à imprensa no fim da apresentação do ponto de situação sobre o progresso das actividades para a realização do Censo Geral da População e Habitação 2024, explicou que os professores vão desenvolver as suas actividades de forma a salvaguardar as suas obrigações para com os estudantes.
O porta-voz garantiu, na terça-feira, que o Censo Geral da População e Habitação não vai interromper o curso normal de aulas, que no ensino geral arrancaram no dia 2 deste mês.
“O Ministério da Educação tem uma engenharia muito própria para permitir que alguns professores participem na operação e também consigam manter a sua obrigatoriedade de atender às aulas”, disse, no fim da reunião orientada pelo coordenador da comissão, Francisco Furtado.
O sector da Educação, informou, colocou à disposição mais de mil escolas para poder albergar os formandos nesse período de formação, que está a ser ministrada pelos Assistentes Técnicos Locais. Hernâni Luís assegurou que toda a populaçao está mobilizada através das campanhas de sensibilização realizadas pelos Governos Provinciais e das administrações municipais, no sentimento de que, a partir do dia 19 deste mês, o país volte a contar a sua população, dez anos depois.
Dos 79 423 recenseadores recrutados, Luanda alberga 25 por cento, seguida das províncias da Huíla com 10 por cento, Cuanza Sul 8 por cento e Huambo 7,9 por cento, informou, ontem, o porta-voz da Comissão para o Censo. Bengo e Lunda-Sul contam com 1,6 por cento, respectivamente, Namibe com 1,5 por cento, e Cuanza-Norte 1,3 por cento.
Hernâni Luís apelou aos cidadãos nacionais e estrangeiros, residentes no país, a actuarem com civismo e ética, no sentido de salvaguardar o processo censitário que constitui um acto patriótico, em que as informações prestadas vão permitir a implementação de políticas públicas mais eficazes.
A segunda maior operação estatística do período pós-independência arranca no próximo dia 19 sob o lema “Juntos contamos para Angola”. O primeiro Censo Geral da População e Habitação realizado em Angola no período pós-independência aconteceu há dez anos. Cujos resultados apontaram para a existência de mais de 25 milhões de habitantes, dos quais perto de sete milhões em Luanda.
Religiosos apelam à participação massiva da população
O arcebispo metropolita do Lubango, Dom Gabriel Mbilingi, considerou, ontem que o êxito do Censo Geral da População e Habitação, que vai decorrer de 19 de Setembro a 19 de Outubro, depende não só da entrega e colaboração dos técnicos censitários, mas de toda a população angolana.
Por este motivo, disse, cada cidadão deve receber os recenseadores e disponibilizar as informações necessárias em prol do bem-estar de todos, tendo em conta que o censo é um instrumento valioso de governação, que vai permitir às autoridades saber quantos somos, como e onde vivemos e, a partir daí, traçar políticas para a empregabilidade, construção de habitações, formação académica, entre outras acções.
Oito mil agentes censitários estão a ser formados, há mais de uma semana, nos 14 municípios da província da Huíla, sobre as técnicas de recolha de dados, tratamento e processamento, entre outros temas.
Luanda
Por sua vez, o bispo da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Tocoísta), Dom Afonso Nunes, reiterou o compromisso da igreja, na disseminação das informações sobre a importância do censo entre os membros da igreja e nas comunidades.
Segundo o líder religioso, o Censo 2024 é uma oportunidade crucial para o desenvolvimento nacional e para a criação de políticas públicas mais eficazes com vista à melhoria das condições de vida das populações, tendo destacado a importância da colaboração de todas as denominações religiosas para o êxito do processo.
O Censo de 2024, continuou, tem como objectivo fornecer dados actualizados sobre a população, distribuição demográfica, condições habitacionais e outras informações essenciais para o desenvolvimento do país.
Cabinda
Os municípios de Cacongo, Buco-Zau, Belize e Cabinda receberam uma viatura uma viatura de marca e modelo Toyota Land Cruiser, cada, para dar resposta às necessidades do Censo Populacional e Habitacional.
No acto de entrega dos meios, o vice-governador para o sector Político e Social de Cabinda e coordenador da Comissão Multissectorial do Censo, Miguel de Oliveira, disse que as viaturas distribuídas, fazem parte do pacote de preparação das condições técnicas e logísticas a nível dos municípios, para que os agentes de campo trabalhem condignamente, em obediência às normas previstas no quadro da comissão multissetorial.