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Indicadores apontam para um cenário favorável à consolidação da economia

As reações de economistas à mensagem sobre o Estado da Nação, proferida pelo Presidente da República, João Lourenço, na quinta-feira, dividem-se entre o optimismo, face aos indicadores favoráveis à consolidação da economia, e o reconhecimento dos desafios que persistem para a sustentabilidade das finanças públicas.

A mensagem do Presidente da República revela sinais de consolidação económica
A mensagem sobre o Estado da Nação, apresentada pelo Presidente da República, João Lourenço, à Assembleia Nacional, a 15 de Outubro de 2026, oferece elementos para uma apreciação positiva do percurso económico de Angola. Na minha leitura, o seu principal mérito está na ligação entre a recuperação dos indicadores macroeconómicos e os investimentos que podem ampliar a capacidade produtiva do país. Essa articulação permite compreender como a estabilidade financeira, as infra-estruturas e a qualificação das pessoas concorrem para o mesmo objectivo de desenvolvimento.
Segundo os dados apresentados, a economia cresceu 3% em 2025 e o Produto Interno Bruto avançou 5,3% no primeiro trimestre de 2026, com uma expansão de 6,2% do sector não-petrolífero. Este último resultado merece particular atenção, pois sugere uma participação mais dinâmica das actividades que podem reduzir a dependência do petróleo.
 A consolidação dessa tendência amplia as possibilidades de criação de empresas e de emprego em diferentes regiões, com efeitos sobre o rendimento das famílias e a arrecadação fiscal.
A redução da inflação, de 27,5% em 2024 para 10,8% em Junho de 2026, acrescenta significado a esta recuperação. Uma subida mais lenta dos preços favorece a previsibilidade dos orçamentos familiares e das decisões empresariais. Por sua vez, a descida do desemprego, de 31,5% em 2024 para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, constitui um sinal encorajador.
O investimento na formação profissional e os programas de empregabilidade, referidos no discurso, podem dar continuidade a esta evolução, sobretudo por meio de ocupações estáveis e produtivas.
No domínio das finanças públicas, o recuo do rácio da dívida de 115,9% do PIB em 2020 para 51,2% em 2026 aponta para uma posição mais favorável de endividamento. A preservação deste resultado, em conjunto com uma gestão adequada dos encargos e dos vencimentos da dívida, pode aumentar a capacidade de resposta do Estado. A melhoria da receita interna e da qualidade da despesa, também destacadas pelo Presidente, são essenciais para dar continuidade aos serviços públicos e aos investimentos prioritários.
Neste quadro, as referências ao crédito produtivo, à inclusão financeira e à modernização do sistema bancário assumem importância prática. O financiamento permite às empresas adquirirem equipamentos, organizar a produção e atender a novos mercados. Para que esta ligação produza benefícios duradouros, a selecção dos projectos deve atender à sua viabilidade e capacidade de gerar rendimento. O reforço da supervisão bancária e dos mecanismos de protecção dos depositantes ajuda, por sua vez, a preservar a confiança necessária ao funcionamento da economia.
Vejo, assim, razões para uma leitura confiante da mensagem presidencial. Os indicadores apresentados e a ligação entre as diferentes políticas apontam para condições mais favoráveis à consolidação económica. A continuidade deste percurso exige atenção à execução dos projectos e à qualidade dos serviços. O seu resultado mais valioso será uma economia na qual as empresas nacionais encontrem condições para produzir e contratar, a fim de que as famílias disponham de oportunidades mais amplas para melhorar a sua vida.
Angola entre a recuperação petrolífera e a diversificação económica: O desafio da sustentabilidade
O crescimento de 5,3% da economia angolana no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela expansão de 6,2% do sector não petrolífero, constitui um dos sinais mais encorajadores dos últimos anos. Os resultados revelam uma economia em transformação e reforçam a percepção de que Angola está a construir novas fontes de crescimento para além do petróleo. Contudo, apesar dos avanços registados, ainda é prematuro afirmar que o país alcançou uma diversificação económica efectiva e estrutural.
 Por um lado, o sector não petrolífero tem crescido acima da média da economia, impulsionado por actividades como agricultura, comércio, construção, indústria transformadora, telecomunicações e serviços. As reformas implementadas pelo Executivo, orientadas para o estímulo da produção interna, substituição de importações e atracção de investimento privado, começam a demonstrar resultados concretos. Além disso, o peso relativo do petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) tem vindo a reduzir-se progressivamente.

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