O Porto Comercial do Lobito completou, ontem, 94 anos, numa altura em que se prepara para, pela primeira vez desde a Independência Nacional, acolher operadores privados, no quadro da concessão dos terminais Mineiro e de Contentores e Carga Geral, cuja gestão passa para o consórcio China International Trust Investment Corporation ( CITIC) e Shandong Port Group (SPG), duas empresas chinesas.
Detido a 100 por cento pelo Estado, até agora, o Porto do Lobito submeteu a concurso público internacional, em 2021, a concessão de parte das suas infra-estruturas, em harmonia com a estratégia do Executivo destinada a tirar maior rendimento do chamado Corredor do Lobito, do qual é parte integrante.
Segundo fontes familiarizadas com o dossier, fizeram-se à corrida três concorrentes: a francesa Bolloré, a filipina ICTSI, bem como o consórcio China International Trust Investment Corporation ( CITIC) e Shandong Port Group (SPG).
A Bolloré, de acordo com as mesmas fontes, foi eliminada, à partida, por ter apresentado uma proposta de pagamento de 40 milhões de dólares pela assinatura do contrato, muito aquém dos 80 milhões estabelecidos como valor mínimo.
Pela assinatura do contrato, a empresa filipina ofereceu 80 milhões de dólares, o valor mínimo exigido, o que a habilitou a concorrer com o consórcio chinês que, com uma proposta de 100 milhões de dólares, levava vantagem sobre aquela.
Com apenas dois concorrentes (filipinos e chineses) na disputa, os organizadores do concurso não tiveram dificuldades em encontrar o vencedor: O consórcio CITIC e SPG que, segundo o presidente do Conselho de Administração do Porto do Lobito, Celso Rosas, pode entrar em actividade ainda no decurso do próximo trimestre.
Com a entrada de operadores privados na empresa, a gestão do Porto passa a ser partilhada entre os representantes do accionista Estado e os delegados do consórcio empresarial chinês.
Para se preparar para o advento da gestão híbrida, que a coloca na condição de porto senhorio, o actual Conselho da Administração da empresa iniciou, no ano transacto, trabalhos de aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão e dos planos de Desenvolvimento Estratégico e de Gestão Ambiental, Defesa e Segurança.
Na condição de porto senhorio, a parte estatal tem como tarefas fundamentais regular e fiscalizar as actividades portuárias, uma espécie de autoridade portuária. Para a boa execução das suas incumbências, a empresa trabalha na concepção de um plano de negócios para os próximos três anos, um manual de procedimentos administrativos e na implementação do software JUPS II, para a gestão portuária.
A lista de tarefas inclui, ainda, a implementação da Janela Única Marítima, o melhoramento do Sistema CCTV, no âmbito da segurança portuária, a actualização e adaptação de um centro de dados e a reorganização da estrutura da empresa.