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Médicos garantem serviços mínimos

Os médicos paralisaram, segunda-feira (6) os trabalhos em vários hospitais, por tempo indeterminado. Em causa estão os baixos salários e péssimas condições de trabalho.

“No caderno reivindicativo que foi entregue ao Ministério, há mais de três meses, constam 14 pontos, entre os quais o retorno do doutor Adriano Manuel, líder do sindicato, que foi afastado há mais de um ano, a melhoria salarial e das condições de trabalho, bem como aquisição de material gastável e de biossegurança. Achamos uma tremenda falta de respeito e consideração à classe a forma como temos sido tratados ao longo do tempo”, disse, à reportagem da Rádio Nacional, Airton Soares, representante do núcleo sindical do Hospital Pediátrico de Luanda .

Acrescentou que os serviços nos bancos de urgência estão garantidos e que, durante as negociações, os representantes do Ministério da Saúde retiraram-se, “quando estávamos a discutir os pontos que achámos importantes”.

Laurindo Jacob, médico do Hospital Josina Machel, conta que os médicos angolanos estão insatisfeitos com a gestão do sistema de saúde. “Partimos para a greve por situações muito fortes. Acredito que o povo sabe que a situação de saúde no país não está boa, por conta de situações inerentes à gestão do sistema de saúde. Queremos fazer passar a nossa voz de insatisfação. Já conversámos várias vezes com quem dirige, mas infelizmente a situação não melhora”.

Carla Soares, médica de clínica geral, fez saber que as condições laborais de várias unidades sanitárias são péssimas. “Estou disposta a continuar com a greve, porque são muitas as situações que o médico angolano enfrenta, especialmente o do sector público. Somos obrigados a trabalhar sem o mínimo de condições básicas. Estamos a falar de coisas como luvas, às vezes até mesmo água para higienizar as mãos. Não temos uma refeição digna sequer “.

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola apela para um maior investimento na medicina preventiva e nos hospitais primários. Quanto à greve da classe, a organização sindical diz estar aberta ao diálogo.

O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, Adriano Manuel, que se encontra suspenso, defende que o Executivo devia investir mais no sistema de saúde primário e colocar  material gastável nos postos e centros médicos.
“O Governo tem estado a investir muito no sistema de saúde curativo, quando deveria investir na prevenção. Deviam investir no sistema de saúde primário, colocar material nos postos médicos, nos centros de saúde, nos hospitais municipais, onde os laboratórios são escassos e não há material para análises clínicas”.

O sindicalista explica que estão abertos ao diálogo, para que, ainda no decurso dessa semana, a greve seja levantada. “Entregámos o caderno reivindicativo há mais de dois meses, no Ministério da Saúde. É uma falta de consideração, as Finanças só terem se apercebido do caderno reivindicativo no momento da negociação”, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola.

Enquanto isso, uma nota do gabinete do secretário de Estado para Área Hospitalar do Ministério da Saúde aponta de que a instituição, através da comissão criada para o efeito, iniciou as negociações do caderno reivindicativo com o Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, nos dias 1 e 2 do corrente mês, com objectivo de buscar soluções para as várias preocupações que afligem àquela classe profissional.

A nota acrescenta que, por motivos de interpretações de um dos pontos do caderno reivindicativo, criou-se um impasse nas negociações, mas o Ministério da Saúde mantém as portas abertas ao diálogo e insta o Sindicato Nacional dos Médicos para, no interesse supremo da classe, comparecer às negociações, por forma a dirimir as divergências surgidas.

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