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Feira Artesanal de Viana promove auto-emprego

A criação de novos factos culturais foi um dos destaques da terceira edição da Feira Artesanal de Viana (FAV), que, este ano, permitiu apresentar um programa diversificado e inclusivo, na promoção do intercâmbio cultural e no fomento do auto-emprego, com base no Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP).

Para o cartoonista Adriano Maurício, de 19 anos, participar na feira com o irmão mais velho, Aldemar Miguel de 22 anos, foi um experiência única e produtiva por conseguirem mostra o potencial artístico.

Foi com o irmão mais velho que começou a ganhar o gosto pelo desenho. A arte do desenho realista, é o forte dos manos que aprimoram as técnicas assistindo vídeo-aulas na Internet. Ainda assim, é pouco para os jovens. Por exemplo, o irmão mais velho de Adriano Maurício pretende fazer o curso superior de Arquitectura e entrar numa escola de artes para aperfeiçoar os conhecimentos na matéria. Os manos são moradores da Caop C, em Viana. A feira, disse Adriano Maurício, foi uma oportunidade para mostrar o potencial artístico dos jovens.

Por sua vez, Aldemar Miguel mostrou-se preocupado por existir ainda poucos espaços de promoção das artes. Afirmou ser possível, com criatividade, dinamizar ainda mais o sector cultural local, com iniciativas do género que tem ajudado a criar novas propostas culturais em Viana. Para quem quisesse ter o seu retrato pintado em folha A4, disse, o cliente paga cinco mil kwanzas, por retrato. Já a folha A1, o retrato pode custar 20 mil kwanzas. Adiantou que os preços cobrados depende muito do bolso dos clientes.

O pintor e a arte

O artista plástico Natitikwa Dibanguiola participou na feira com a sua marca “MDM Timberly, Arte em Comunidade”. Membro da Associação Kiesse, vive no Kapalanga. Dibanguiola tem 38 anos e está na arte desde os dez anos. Natural da província do Uíge, desde muito cedo mostrou o interesse pela pintura, o que despertou a curiosidade dos familiares. Como refugiado, foi viver na República Democrática do Congo (RDC), em 2004. Incentivado por amigos e familiares e pela necessidade de poder aumentar o conhecimento académico, Natitikwa Dibanguiola abdicou durante algum tempo da arte para concluir o ensino médio em Pedagogia Geral, em Kinshasa. Durante esse período até o regresso definitivo ao país em 2011, foi aperfeiçoando as técnicas de pintura na RDC. Nos trabalhos recorre as técnicas de óleo sobre tela e colagens para produzir os quadros.

Neto em tela

A influência do primeiro Presidente de Angola na luta de libertação contra o regime colonial, é o foco de um dos quadros do artista plástico, que esteve em mostra durante a FAV. O quadro está avaliado em 120 mil kwanzas e o pintor usou a técnica do acrílico sobre tela e colagens de objectos sobre a moldura.

Segundo o artista, o Presidente de Angola, Agostinho Neto, profetizou dias melhores para o país, depois de vários anos de conflitos armados. “Hoje vivemos numa terra livre, na qual podemos decidir por nós mesmos. Sempre foi desejo de Neto, por isso, dedico esse retrato em sua homenagem”.

Balanço positivo

A Direcção Municipal do Turismo e Cultura de Viana considerou de produtivo o balanço desta edição da FAV por permitir criar vários momentos de interacção e troca de experiências, nos mais variados domínios do saber. A organização considerou ter cumprido até 85 por cento das actividades programadas. Desde o roteiro e os eventos culturais, até à participação de centenas de expositores conseguiu-se “o maior número de produtores das mais variadas disciplinas artísticas, num único local e discutir os vários assuntos ligados ao sector cultural”.

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