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Presidente eleito da África do Sul promete política externa de promoção da paz e solidariedade South African President Cyril Ramaphosa raises his hand as he is sworn is as a member of Parliament ahead of an expected vote by lawmakers to decide if he is reelected as leader of the country in Cape Town, South Africa, Friday, June 14, 2024. (AP Photo/Jerome Delay)

O Governo da África do Sul vai apostar numa política externa que promova os Direitos Humanos, a paz e a solidariedade, prometeu, quarta-feira, em Pretória, o Presidente reeleito do país, Cyril Ramaphosa.

Ao discursar, no anfiteatro do Union Buildings, Sede do Governo, durante a cerimónia da tomada de posse, perante uma plateia em que se destacavam vários Chefes de Estado e de Governo, entre os quais o Presidente da República, João Lourenço, o líder sul-africano foi bastante incisivo na abordagem aos objectivos que o prendem ao cargo, por mais cinco anos.

Cyril Ramaphosa disse que a África do Sul continuará aberta ao mundo, defendendo consensos entre as nações e promovendo uma política que salvaguarde a união, harmonia, boa convivência e amizade entre os países e povos de todo o mundo.

“Na política externa, queremos promover os Direitos Humanos, a paz e solidariedade”, referiu o Chefe de Estado sul-africano.

Apesar do discurso de improviso, Cyril Ramaphosa foi bastante claro em relação ao estilo de governação que o ANC vai, doravante, adoptar, realçando a importância dos partidos terem chegado ao consenso, para a promoção do desenvolvimento económico, Justiça Social, Saúde, Educação, combate à corrupção e construção de uma nação forte e unida.

Os sul-africanos, disse, foram inequívocos na mensagem aos políticos durante as eleições, no sentido de colocarem de lado as disputas e os intermináveis jogos de atribuição de culpas.

“O povo exigiu o fim do roubo de fundos públicos e a captura do Estado. Acima de tudo, o povo da África do Sul sublinhou que está impaciente com as disputas políticas e com o interminável jogo de culpas entre políticos e partidos”, referiu.

 Cyril Ramaphosa prometeu, por isso, trabalhar com os oponentes políticos no Governo, para encontrar soluções aos desafios do país. “Os cidadãos falaram do desejo de estarem seguros nas suas casas, nas ruas, nas cidades, nas aldeias e nas quintas”, acrescentou, sublinhando que os sul-africanos querem que os políticos coloquem as necessidades e as aspirações dos cidadãos em primeiro lugar.

“O povo quer que trabalhemos juntos pelo bem do país. Hoje (ontem) estou diante de vocês como vosso humilde servo, para dizer que vos ouvimos”, sustentou.

Governo de unidade

A criação do Governo de Unidade Nacional, de acordo com Cyril Ramaphosa, visou juntar os partidos políticos, para trabalhar em parceria, tendo em vista uma economia em crescimento, melhores empregos, comunidades mais seguras e um Governo que trabalhe para o povo.

“De todo o espectro político, os partidos responderam ao nosso apelo. Compreendendo que nenhum partido pode governar e fazer leis sozinho, estes partidos concordaram em trabalhar em parceria, para empregar os seus talentos para o bem do país e o progresso do seu povo”, explicou.

O Presidente da África do Sul esclareceu, ainda, que os partidos resolveram estabelecer um Governo de Unidade, para prosseguir um programa comum de mudanças fundamentais e duradouras, destacando ser “um momento de profundo significado e início de uma nova era”.

Críticas aos detractores

O Chefe de Estado sul-africano não poupou críticas a todos que tentaram, durante as eleições, “dividir e distrair a nação”, com discursos que semeiam o ódio entre os cidadãos: “Devemos rejeitar qualquer tentativa de nos dividir ou distrair, de semear dúvidas ou cinismo, ou de nos colocar uns contra os outros. Aqueles que procuram estar no nosso caminho, que tentam inflamar as tensões, não terão sucesso, porque os sul-africanos estão decididos”.

Todos que optem por tentativas de “minar as instituições”, reforçou o líder sul-africano, “vão fracassar”, justificando que “a democracia vive nos corações do povo e nunca será desalojada”. E acrescentou: “Nada nos distrairá de servir o povo e de promover os seus interesses.”

As declarações de Cyril Ramaphosa, neste particular, podem ser interpretadas como uma mensagem para o antecessor e agora opositor político Jacob Zuma, actual líder do partido MK, um dos controversos que questionou a veracidade dos resultados, ameaçando levar ao tribunal a Comissão Eleitoral da África do Sul.

Juramento de posse

Antes de proferir o discurso, o Presidente da África do Sul foi investido no cargo pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Raymond Zondo, que o orientou na leitura do texto de juramento à nação.

“Na presença de todos aqui reunidos e em plena realização da alta vocação, assumo como Presidente da República da África do Sul, eu, Matemela Cyril Ramaphosa, juro que serei fiel à República da África do Sul e obedecer, observar, defender e manter a Constituição e todas as outras leis da República”, declarou o Chefe de Estado, antes de prosseguir.

“Prometo, solene e sinceramente, que sempre promoverei tudo o que irá prover a República e opor a quem possa prejudicá-la, proteger e promover os direitos de todos os sul-africanos, cumprir meus deveres com todas as minhas forças e talento, com o melhor de meu conhecimento e habilidade e fiel aos ditames da minha consciência. Fazer justiça a todos e dedicar-me ao bem-estar da República e de todo o povo. Então, que Deus me ajude”, finalizou Cyril Ramaphosa.

Após a assinatura do livro de investidura e compromisso, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Raymond Zondo, ergueu a mão de Cyril Ramaphosa, declarando-o Presidente do país.

“Senhoras e senhores, o Presidente eleito foi devidamente empossado”, disse, tendo o recém-empossado líder do Estado sul-africano abraçado a Primeira-Dama, Tsepo Motsepe, dando-lhe um beijo, arrancando aplausos da multidão, que observava a cerimónia a partir dos ecrãs gigantes montados nos jardins do Union Buildings.

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