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Presidente João Lourenço incentiva aposta no agronegócio

O Presidente da República, João Lourenço, quer Angola projectada para o agronegócio e aposta na cooperação económica com a Noruega, muito dominada pelo petróleo.

 Na visão do Presidente angolano, as trocas de missões empresariais entre os países devem estar focadas no aumento das áreas de interesse com realce às pescas e o sector energético.

 Foi nesse clima de vantagens mútuas que decorreu a reunião dos empresários, o “Angola Business Forum”, realizada, ontem, numa das salas de conferência do Grand Hotel de Oslo, com mais de 30 empresas e representações oficiais dos dois governos.

 No discurso de abertura, o Chefe do Executivo angolano agradeceu à Associação Norueguesa de Negócios com África (NABA) pela organização da reunião de negócios, tendo reiterado que o país quer partilha de experiências com o parceiro europeu e a diversificação das áreas de interesse em negócio.

 Aos empresários noruegueses, João Lourenço mostrou que Angola possui terras férteis em abundância, rios, clima e vontade do Governo para apoiar os investidores com foco para o agronegócio.

 Produzir trigo, milho, feijão, arroz e outros grãos deve ser encarada como uma porta de reforço da segurança alimentar e de bons negócios. A visão é que os empresários invistam e possam tirar vantagens da actual procura mundial de alimentos, devido aos conflitos Rússia-Ucrânia, fundamentalmente.

 E, para garantir um ambiente atractivo ao investimento externo, o Chefe de Estado disse aos empresários noruegueses o que é que Angola está a fazer e também o que já foi possível alcançar, para além do que se pretende.

Abertura de oportunidades

De acordo com o Presidente João Lourenço, este momento é de facto, uma boa oportunidade para aprofundar o diálogo e trocar pontos de vista sobre as diversas oportunidades de investimentos que existem em Angola e na Noruega.

 A Noruega, disse, é um dos países mais prósperos da Europa, com um Produto Interno Bruto “per capita” dos maiores do mundo e citado frequentemente como um dos lugares do mundo com melhor qualidade de vida.

 Possui uma economia diversificada, com um excelente ambiente de negócios, que lhe permite atrair Investimento Directo Estrangeiro (IDE), exportar para o mundo não só petróleo e gás, assim como produtos do mar, máquinas e equipamentos de ponta e bens  manufacturados. Conforme disse o Chefe do Executivo angolano, a economia azul norueguesa tem um peso muito importante no processo de criação de riqueza deste país e das exportações.

 Nesse sentido, João Lourenço disse que Angola pode aprender muito com a experiência norueguesa, particularmente no aproveitamento dos recursos naturais e a sua conversão em riqueza e bem-estar social para o país e para o povo.

 “Pretendemos fortalecer as nossas relações de amizade com a Noruega e estabelecer as bases de uma cooperação estratégica entre os dois países, de modo a que ambas as partes obtenham os maiores benefícios desta cooperação, para o bem dos nossos  respectivos  povos”, assumiu.

O caminho já percorrido

O Executivo angolano, nos últimos cinco anos, deu passos muito importantes no sentido de tornar o país num espaço cada vez mais atractivo para a captação de investimentos estrangeiros.

De acordo com o Presidente da República, o objectivo que Angola persegue é o de construir uma economia forte e sustentada, uma economia cada vez menos dependente dos recursos do petróleo.

 Por isso, disse, a acção governativa tem sido focada no sentido de aprofundar as bases de um Estado Democrático de Direito, onde não haja impunidade para com os actos de corrupção e para práticas de nepotismo e de tráfico de influências.

 “Estamos a edificar um Estado que apresente altos níveis de transparência na gestão do erário, onde seja preservada a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos e a sã concorrência entre os agentes de mercado. Um Estado onde o acesso à justiça seja rápido e igual para todos e onde se valorize o mérito e a competência profissional”, garantiu.

 João Lourenço afirmou também que, tendo em conta os efeitos nefastos do fenómeno da corrupção na economia e, sobretudo, na sociedade angolana, o Executivo e os competentes órgãos da justiça, têm vindo a tomar medidas concretas para eliminar os efeitos de tal fenómeno e assim tornar  Angola num verdadeiro Estado de Direito em que ninguém esteja acima da lei.

 “Estamos, igualmente, a implementar iniciativas para combater o branqueamento de capitais, bem como para recuperar os activos que foram constituídos com recursos públicos e que foram ilegalmente transferidos para a propriedade de terceiros”, acrescentou.

Para além da consolidação do Estado Democrático de Direito, Angola está também a desenvolver acções no sentido de consolidar a economia de mercado.

Estabilização macroeconómica

 O Presidente da República disse, ontem, aos empresários presentes ao “Angola Business Forum”, que o país desenvolveu com sucesso um programa de estabilização macroeconómica, que permitiu alcançar resultados positivos no que respeita ao equilíbrio das contas fiscais, à redução das taxas de inflação, à normalização do mercado cambial e a estabilização do nível das reservas internacionais do país.

 O Chefe de Estado disse que este programa foi concluído em Dezembro de 2021 e teve o apoio financeiro e técnico do Fundo Monetário Internacional, com base num Programa de Financiamento Ampliado.

Etapas concluídas

 Em 2021, Angola saiu, finalmente, de um longo período de recessão económica. Isso foi conseguido graças a um crescimento forte do sector não petrolífero de  6,4 por cento, com destaque para a agricultura e pecuária, pescas, indústria transformadora, indústria extractiva (diamantes), comércio, construção, transportes e outros serviços, afirmou o chefe do Governo angolano.

  Nesse sentido, mostrou os dados do primeiro semestre do ano em curso, que apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto de 3,2 por cento.

 Diante destes indicadores, afirmou João Lourenço, quer-se consolidar e aprofundar este novo paradigma de crescimento do país, um crescimento liderado pela economia não petrolífera, onde o sector privado é o principal actor. Estima-se que em 2022, a economia angolana venha a ter um crescimento de 2,7 por cento e mais uma vez com um desempenho liderado pelo sector não petrolífero.

Programa de Privatizações atrai parcerias de empresas nacionais e estrangeiras

Angola está a dar primazia ao sector privado para liderar o desenvolvimento económico e para reforçar o papel deste segmento na economia desenvolve-se, desde 2019, um vasto programa de privatizações de activos, que antes pertenciam ao Estado.

 Dados disponibilizados pelo Presidente João Lourenço, na sua intervenção, indicaram que já foram concluídos 94 processos de privatização. Esta estratégia envolve mais de 150 activos em sectores como o das telecomunicações, agricultura, serviços financeiros, hotelaria e turismo, da indústria, distribuição de combustível e várias participações da empresa nacional de petróleo, a Sonangol, no ramo da prestação de serviços à industria petrolífera.

 Este Programa, disse o Chefe de Estado, prevê ainda quando se entender oportuno, a privatização parcial da Sonangol, da Endiama e da TAAG, empresas de grande referência em Angola nos domínios dos hidrocarbonetos, dos diamantes e do transporte aéreo.

 “Não tenho dúvidas que este Programa constitui uma grande oportunidade para uma cooperação frutífera e de elevada rentabilidade entre empresários angolanos e noruegueses, que certamente beneficiarão as economias dos dois países”, garantiu.

 João Lourenço disse considerar este Programa de Privatizações como uma via importante para fortalecer o sector privado do país, para tornar a economia mais eficiente e também para consolidar o processo de edificação da economia de mercado em Angola.

 “Neste esforço de criar em Angola uma economia forte e diversificada, queremos atrair investidores da Noruega que tragam ao nosso país não só o capital financeiro e a tecnologia avançada, mas que tragam sobretudo o know-how que nos permita diversificar e aumentar com rapidez e eficiência a nossa produção interna de bens e de serviços”, convidou.

Medidas fomentam a criação de empregos

Os níveis de emprego em Angola deverão aumentar, significativamente, como resultado das medidas de incentivo à intervenção dos privados na economia. Estas medidas, de acordo com o Chefe do Executivo angolano, vão melhorar os rendimentos dos cidadãos e as exportações serão mais diversificadas.

 “O país oferece oportunidades em vários domínios com destaque para a agropecuária, a silvicultura, as pescas, os recursos minerais, a indústria transformadora, o comércio, a energia e águas, a construção, os transportes, as telecomunicações, serviços financeiros, a hotelaria e o turismo, ou seja em praticamente todos sectores da vida nacional”, disse.

 Os investimentos noruegueses em Angola fora do sector petrolífero ainda são pouco significativos. Queremos o envolvimento de empresas norueguesas noutros sectores da nossa economia, para ajudar Angola a diversificar a sua base produtiva com maior rapidez e eficiência.

 De acordo com João Lourenço, a Noruega tem sido um dos líderes globais em indústrias marítimas e tecnologia oceânica, nomeadamente no offshore, transporte marítimo, mobilidade aquática, pesca e aquicultura.

 Potencial em foco

 As empresas norueguesas acumularam ao longo do tempo um vasto stock de “know-how” e inigualável capacidade tecnológica neste domínio, que pode beneficiar o sector das pescas em Angola, sobretudo no desenvolvimento de projectos de aquicultura, na perspectiva empresarial e comunitária.

 O Presidente João Lourenço disse que o desenvolvimento sustentável é o principal desafio das economias neste século XXI, porquanto a Noruega é, igualmente, um dos líderes mundiais em energias limpas e economia azul.

 Tal como Angola, a Noruega beneficia de abundantes fontes de produção de energia limpa, daí o facto da indústria norueguesa ser competitiva e de baixa emissão de carbono, segundo o chefe de Estado.

 Deste modo, a experiência norueguesa nas energias limpas pode ser melhor aproveitada pelo país para intensificar o investimento na produção de energias sustentáveis. Para as áreas referidas e outras que venham a ser identificadas, Angola quer que se defina um quadro de acção que envolva não só a atracção de investimento directo da Noruega em Angola, como também a exploração de linhas de crédito de apoio às exportações.

 Na ocasião, o Chefe de Estado reiterou o convite ao sector privado da Noruega a abraçar as enormes oportunidades de negócios que o país oferece e assim poderem  usufruir do ambiente de estabilidade e segurança prevalecente em Angola e do elevado potencial de rentabilidade que os negócios oferecem no país.

 O Executivo pretende que os noruegueses cooperem no processo de transformar Angola num país próspero e moderno, capaz de proporcionar ao povo as melhores condições de vida.

 “Estou certo que tanto o Governo da Noruega como os empresários noruegueses, terão todo o interesse em contribuir com os seus meios e conhecimentos para a consolidação de uma Nação democrática e aberta à livre iniciativa numa das regiões potencialmente mais ricas do planeta” finalizou o chefe de Estado angolano.

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